Lara |
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Hoje tive uma experiência renovadora. estava indo para o shopping, somente a duas quadras de onde moro, e tive duas pessoas para ajudar. a primeira eu perdi a chance, com a segunda, me emocionei.
quando cruzava a esquina, me veio um rapaz, bem vestido, calça jeans e blusa polo, com uma mochila nas costas, perguntando se poderia ajudá-lo. logo pensei que estava perdido, mas me enganei. ele me pediu R$ 2,75 para completar a passagem de ônibus para Guarapari, pois veio de Belo Horizonte e estava desempregado. Como só tinha 20 reais na carteira, disse-lhe que nada tinha, e continuei andando.
Mas aquilo ficou na minha cabeça, e me arrependi profundamente. o cara estava sendo sincero, acredito eu. e imagino como ele se sentia ao pedir dinheiro assim na rua, não miserando, apenas.. querendo chegar em seu destino. imagino também, se está a muito tempo sem comer, ou beber alguma coisa.
Fico com este pensamento, até chegar na porta do shopping e ver um senhor, com uma cartela de remédio vazias na mão, pedindo ajuda a um casal, pois precisava daquele remédio.. não sei se para ele, para sua mulher ou algum filho. mas precisava.
Continuei com meu objetivo, entrei no shopping, paguei minhas contas, e na hora de ir colocar crédito com os 20 reais que tinha na bolsa, ao invés de colocar o valor que pretendia, coloquei menos. porque sei que posso falar menos. e deixei o troco, para poder ajudar.
Estava mais aflita com o jovem, confesso. não sei porque.. mas assim que passei pelo velhinho, tremendo aquela caixa de remédio, agitado, gritando internamente “ME AJUDEM, POR FAVOR” não dei todo o dinheiro que restava para ele conseguir comprar seu remédio.
E eu precisaria ser bem melhor escritora para descrever a reação daquele senhor a seguir. seu corpo parou, seus olhos se dirigiam ao dinheiro, mas pareciam não enxergá-lo. ele olhou para mim, perdurou alguns segundos, e depois uma montanha russa de agradecimentos veio a tona, como se tivesse finalmente se realizado do acontecido.
‘moça, isso é…. muito. muito. muito obrigado moça, muito obrigado’
e lágrimas desceram por seus olhos.
Chorei junto.
‘Parti apenas dizendo ‘Isto não é nada… se cuida.’
Voltei para casa, precisando encontrar o Jovem que ia para Guarapari. mesmo chorando, me sentia outra pessoa, aquilo me contagiou, e eu precisava ajudar mais alguém! rodei meu quarteirão inteiro, mas não o encontrei.
Chorei mais.